Wednesday, 10 September 2008

Polenta brustolada, música, Teixeirinha, recuerdos e um desafio.


Eu queria muito participar do evento promovido pela Simone mas estou atrasada e devo confessar que achei difícil já que não tenho uma ligação muito forte com uma única música. Gosto de diversos estilos, de dirigir ouvindo alguma coisa mas também gosto do silêncio, de um bom filme, um bom livro ou um programa legal na tv. Também sou traumatizada por não saber cantar nem tocar.. acho que esqueci de passar na fila dos instrumentos e canto antes de vir para este mundo mas com certeza passei duas vezes pela fila da gastronomia.

Mas, se olhar para trás e rever o passado, vejo que a música nativista riograndense sempre esteve presente na minha vida principalmente relacioanda a eventos que envolvem comida. Sou gaúcha mas atualmente moro no “primeiro mundo”, já visitei vários países, já morei na capital, já fui patricinha mas minha raiz é no interior e dele não me desligo, e dele tenho orgulho. Sou interiorana da região do planalto, onde o sotaque é carregado, de onde guardo as minhas melhores lembranças, onde a igreja é ao lado do salão de festas e consequantemente ao lado da escola, onde as pessoas são conhecidas pelo sobrenome, onde ainda se houve estórias de chimangos e maragatos, onde existe apenas dois partidos políticos e onde a música gauchesca e nativista nunca é esquecida.

E, era este tipo de música que ouvia tocar nos Carijos da Canção Gaúcha, nos bailes de CTG (sim fiz parte da invernada, eu dancei chimarrita ), nas churrascos da turma da faculdade de administração, depois no direito, jantares com os melhores amigos em Frederico Westphalen, nas festas de família, com a turma de amigos de São Borja e Uruguaiana, nos tempos de Porto Alegre, eram sempre com essas músicas que tudo terminava em grande bailão, vanerão e arrasta pé.

Mas, na casa dos meus pais além de Dante Ramon Ledesma (adoro), Berenice Azambuja, Leonardo (o do sul), Neto Fagundes, Wilson Paim e outros, tinha um disco que estava sempre tocando e cujo cantor nos visitava nos verões em Capão da Canoa juntamente com Mary Terezinha. Falo do saudoso Teixeirinha, conhecido como o rei do disco, um ícone na música do RS.

Para recebê-lo meu pai sempre preparava o que Teixeirinha mais gostava lá em casa: galeto pinga fogo, massa, polenta brustolada ou lapinhata.

Como o galeto a pinga fogo é impossível de fazer aqui em casa já que requer uma churrasqueira automática e um típico churrasco gaúcho, com espeto e tal também não dá... já que massa do jeito que eu gosto está banida pela intolerância, ja que lapinhata é uma longa história, já que meu tempo é curto, decidi pela polenta brustolada que também me remete as músicas italianas na casa dos meus avós... Quando se manja la bella polenta, La bella polenta se manja cosi.....

E, vamos a polenta...
Conhecida também como polenta na chapa, mas tradicionalmente é feita na chapa do fogão a lenha e é muito popular no sul.

Eu cresci comendo-a no café da manhã e minha avó ainda come polenta assim quase todos os dias.

Eu fiz a polenta normal, como de costume e depois de cozida coloquei-a num refratário (podes untar o refratário se quiseres) e reservei por algumas horas. Podes fazer um dia anterior também. O importante é a polenta estar firme para poder cortar em pedaços e não quebrar.

A seguir corta-se a polenta em quadradinhos ou tiras e coloca-as na chapa bem quente (Eu fiz numa frigideira teflon. Não precisa untar, apenas deixar esquentar bem) e deixe por uns 3-4 minutos até dourar, formar uma casquinha e desgrudar da chapa. Vire este lado para cima e coloque uma fatia de queijo fresco em cima de cada fatia de polenta. Espere mais alguns minutinhos até o outro lado da polenta também ficar com a casquinha crocante. Retire e sirva com galeto e massa ou para um delicioso café da manhã estilo colonial.

18 comments:

Rita said...

menina essas suas estorias me deram uma saudade dos meus tempos de RS.....
Um apolentinha e muito bom mesmo, ne...Ou melhor, tribom!!

Magia na Cozinha said...

Leila eu sou da capital e conheço pouco do interior.
Mesmo assim, me lembro que meus pais gostavam de ouvir uma fita K-7 de um grupo tradicional do sul, que já nem me lembro o nome, quando morávamos fora do sul. Acho que faziam isto para matar as saudades da terrinha.
Esta polenta parece deliciosa, mas nunca provei. Me abriu o apetite!
Que saudades dos Café Coloniais! Adoro e vou levar meu marido para conhecer, quando for possível.
Ai que fome!
Bjs :)

Cris said...

Desde o dia que me falou da polenta brustolada fiquei doida para conhecer, primeiro por causa do termo totalmente novo para mim e agora vi que conheço muito pouco do sul de nosso país, Leila, parece grego para mim, mas estou adorando, este evento é 10 né, adorei seu post que nos leva a conhecer mais um pouco de nossa cultura. Beijos!

Eliana Scaramal said...

Leila linda sua participação! Amei!

Valeria said...

Leila
Adorei sua dica ...gostaria de conhecer mais á respeito das comidas regionais caseiras do Brasil e nada melhor conhecer através de quem nasceu e viveu na região!
Adorei
Bjs

Silvia Arruda said...

Além do prato - adoro polenta, com esse queijinho por cima então... -sua história arrasou!

Elvira said...

Sabe que minha mãe é uma fã incondicional do Teixeirinha...? Ela pode ouvir suas músicas horas à fio, conhece todas as letras e tudo! :-D

Obrigada por nos ter aprendido tanto sobre o sul do Brasil. Fiquei encantada.

Beijos.

Glau said...

que lindo seu post.. recordar é viver! e vc contou sua história com um jeitinho mto carinhoso.. adorei!

Bjos, Glau

Nana said...

Leila,
poxa que legal!
No novo blog no mês passado tb ocorreu um desafio e era polenta!
Bjs

Cláudia said...

Acho muito interessante a cultura gaúcha, sou paulistana e conheço muito pouco, pois nunca presenciei ao vivo, mas sempre admirei o que pude conhecer através de pessoas, TV, histórias e livros.
Esta polenta eu também comeria de bom grado no café da manhã. Bem italiana, ponto em comum com os paulistanos netos de imigrantes!

COZINHAR COM OS ANJOS said...

Filha vai buscar o teu miminho ao meu cantinho.Beijinhos

Anonymous said...

Oi Leila...
Sou do Parana mas moro no Japao.Fiquei saudosa ao ler seu post comentado do Teixeirinha e da Mary Terezinha.Meus pais os adoram e me lembro que qdo crianca iamos ao cinema assistir aos filmes do casal.Obrigada por ter resgatado essa lembranca tao doce... Mitie

Akemi said...

Leila, que delícia de post! Este evento da Simone tem sido ótimo para conhecer um pouco mais dos gostos pessoais de cada blogueira e vc de quebra ainda nos conta mais sobre a região de onde nasceu! O Teixeirinha é bom, mas esta polenta já fez meus olhos crescerem na hora!!! Preciso fazer esta polenta! Bjs

Ana said...

Leila:
Adorei esse post até porque como também morei no Sul na Região missioneira, muito do que vc falou eu vivi por um bom tempo.
Até me vestia de "chinoca" nas comemorações do 20 de setembro, pois na nossa rua fazíamos um autêntico galpão crioulo.
Fiquei com muita saudade.
Um beijo.

Talula said...

Eita, esse post tá muito bom. Sou de Uruguaiana e morro de saudade...
Beijo

Iliane said...

Leila que lindo tudo que dissestes amiga..alem do que essa polenta tá tudo de bom..bjus

Odete said...

Menina, quanta riqueza existe naquele Brazilsao. Te lendo agora, revisitei a casa dos meus avos e com certeza toda as manhas no radio a tocar, era Teixeirinha. Deu uma nostalgia e saudade tao boa.
Meus sobrinhos ate hoje vao a bailes de vanerao.
Quanta coisa boa.
E essa polenta eh tudo de bom, uhum ainda mais se feita na chapa do fogao a lenha.
Beijos

Flavinha said...

Leila, que polenta deliciosa! Adoro polenta frita que tem aqui em Minas, mas essa sua parece melhor ainda!
E adorei a parte musical! Acho que sua participação foi fantástica!
Beijocas